Gerúndio em cores

24/02/2009

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Colorizado por Lucas Santoro


Novo projeto com o Redentor

22/02/2009

Um novo projeto envolvendo o personagem Redentor, criação de Marcos Franco, está em desenvolvimento. A idéia partiu do quadrinista Valmar Oliveira.

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“Originalmente eu tive a idéia de um crossover entre um personagem antigo meu, que estava há anos no estaleiro. Falei com o Marcos e ele liberou já que o Redentor estava parado. Troquei ideias com o Marcelo Oliveira pra desenvolver o roteiro. Mas certo dia, acordei com a idéia de algo mais sombrio. Bolei as primeiras paginas e passei pra o Marcos, que ficou de cabelo em pé, pois oque eu tinha pensado ia de encontro com as diretrizes do personagem e desmentia ou ignorava muito do conceito original pra os personagens e todo seu universo. Então no final, falei pra ele que poderia ser encarado como uma realidade alternativa ou uma versão ‘ultimate’ do personagem”, conta Valmar.

Concebido como uma possível mini-série, a hq ocorre num futuro onde tudo deu errado na luta do Redentor. Ele perdeu para o inferno, está aprisionado e sendo torturado, e a humanidade está em processo de extinçao com o mundo queimando e coberto de cinzas enquanto o Inferno expande seus domínios para além do planeta.

“Escrevi praticamente tudo ao mesmo tempo que fiz os esboços da primeira parte, e tive a ajuda mais que providencial do Marcelo Oliveira. A primeira parte ja foi encerrada e devo começar o trabalho de desenhar, ao tempo que pensarei na parte 2. É provável que outros personagens do universo do Marcos apareçam. Mas uma coisa de cada vez, afinal não sou o Jack Kirby, conclui Valmar.

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Marcelo Oliveira segue: “As batalhas entre o Bem e o Mal inspiraram histórias muito bacanas, mas parecem cada vez menos atrativas para os criadores atuais. Por isso, nessa nova história do Redentor, sugeri que a Valmar que o Inferno não fosse o Mal, embora o herói creia dessa forma. O Inferno é uma realidade similar ao do universo dos mythos lovecraftianos: um local impossível de ser racionalizado pela humanidade, com criaturas que afrontam todos os padrões da fauna terrestre, portanto capazes de despertar horror pela sua simples presença. Os humanos os nomeiam demônios logo que os vêem, mas eles não pertencem a nenhum panteão maligno (o mal não existe, lembra?). Deus não existe para eles. Eles apenas viajam por realidades, pilhando e matando. A Terra é o próximo alvo. Qual confronto é maior: Redentor contra essas criaturas alienígenas, ou o complexo da humanidade em dividir as coisas: bem e mal; homem e mulher; Deus e o Diabo? Afinal, não é matando todos os demônios que Redentor livrará a Terra do Horror. Acho que a saga será sobre isso. E terá muito sangue também.”

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O tema principal da série pode ser descrita desta forma:
“Imagine o maior heroi de um mundo que sempre venceu suas batalhas, por mais dificil que sejam elas. Agora imagine uma realidade onde algo deu errado e ele perdeu a batalha. Imagine o inferno sobre a terra e usando a terra como ponte pra o universo. O céu? Ignora a terra. A humanidade? Quase exterminada. O inferno esta sobre a terra, e legiões e hordas avançam, com seus generais. Lucifer segue sua máxima e prefere permanecer no Inferno. E o heroi? Esta preso, sendo torturado e humilhado. Mas algo acontece e ele é libertado. Como e por que? Ele ainda não sabe, mas agora corre por sua vida, e pra tentar salvar oque restou do mundo. Se ele puder…!! ”

Ilustrações: Valmar Oliveira, Hélcio Rogério e Davi Sales.

Texto retirado do blog Pig Arts


Manu Chao, Lucas da Feira, Cultura LGBT e Gerúndio: novidades pré-carnaval

17/02/2009

O carnaval está chegando com a ótima notícia do trio elétrico em comemoração aos 40 anos de Novos Baianos, banda que recentemente teve sua origem contada em quadrinhos, na Revista Muito. Pepeu, Baby, Galvão e Paulinho estarão na Barra às 23:40 deste sábado (21/02) e às 14:30 do domingo (22/02). Devo aparecer para ver. Além dos Novos Baianos, tentarei ver o trio do Samba da Velha Guarda, com Edil Pacheco, Nelson Rufino e Valmir Lima, na segunda-feira (23/02), às 15:30 também na Barra.

Show de Manu Chao, em Salvador. Umas das poucas fotos que não tremeram em meio ao agito.

Show de Manu Chao, em Salvador. Umas das poucas fotos que não tremeram em meio ao agito.

Falando em shows, não há como não comentar o espetáculo promovido por Manu Chao & Radio Bemba, na sexta-feira passada. O show durou cerca de duas horas e meia de inflamação e agito non-stop. A banda inteira interagiu com o público, muitas vezes com Manu Chao em segundo plano. A sensação era a de que seríamos estuprados a qualquer momento pelo som contagiante e latino de Chao & Bemba. Torço pra que eles voltem para o Brasil! Com certeza, este já é o show do ano.

Bem, mas este é um blog sobre Hqs. Divulgo duas novidades, uma sobre o projeto Cultura LGBT e outro sobre a história de Lucas da Feira.

Projeto Quarto ao Lado: Ficção e Identidades em construção

Saiu hoje a lista dos projetos habilitados a disputar seleção no Edital Cultura LGBT, da Fundação Pedro Calmon. Fui habilitado com o Projeto Quarto ao Lado. A lista completa pode ser vista em: http://www.cultura.ba.gov.br/conteudo/apoioaprojetos/editais/downloads/edital-lgbt-1/attachment_download/file

Foram poucos os inscritos no Edital, isso aumenta as minhas esperanças de aprovação. Estou participando, também, do projeto Stonewall – 40 Anos De Resistência LGBT, como produtor.

Deixo aqui a sinopse da HQ, que contará com desenhos de André Leal.

Matias e Rafa são companheiros de apartamento. Ambos são universitários. Matias, ainda virgem, descobre-se gay e está prestes a assumir sua sexualidade para a família. Rafa é hetero e tenta reconstruir sua vida emocional às margens de um namoro recém terminado. Eles eram bons amigos até a noite em que dormiram juntos e fizeram sexo. Agora, não sabem nem como vão olhar um para a cara do outro.

Lucas da Feira no Pará

A revista paraense Catarse Quadrinhos convidou Marcos Franco, meu parceiro de quadrinhos, a escrever um roteiro de uma história fechada sobre Lucas da Feira. Ele me convidou para desenvolver o enredo e o texto juntamente a ele e estamos já fechando toda a história.

Em 11 páginas contaremos um dia na vida do bando de Lucas. Um dia de retornos a um passado cruel, um dia de amostras presentes da violência do cangaço e de um futuro incerto para os membros do bando de Lucas.

Ainda sem data prevista para o lançamento, a HQ será desenhada pelo paraense Adnilson Gomes.

Gerúndio, o adolescente bipolar

Uma novidade são as tirinhas do personagem Gerúndio, criado por mim e meu amigo mineiro, o músico Duke. Estamos criando tiras de diversos gêneros e gostos, muitas delas sem nenhuma pitada de humor. Gerúndio é um garoto bipolar com crises radicais, que é representado de maneira politicamente incorreta em suas aventuras. Fizemos a HQ sem pretensões humanitárias, mas falando sobre humanidade. O primeiro esboço do personagem pode ser visto abaixo, uma tirinha ainda sem arte-final ou balões e um desenho já finalizado. Logo poderão ser vistas tirinhas e histórias de uma página.

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Recontando Feira de Santana em quadrinhos

10/02/2009

Mercado Municipal, hoje Mercado de Arte Popular

Mercado Municipal, hoje Mercado de Arte Popular

Toda cidade possui sua coleção de mistérios, segredos e histórias. Desde os mitos fundacionais, àqueles mais ligados a localidades específicas dentro da cidade. Algumas cidades possuem, em seu estado de ser, maior força de demonstrar o quanto foi forjada por suas histórias acontecimentos – não são muitas as cidades que conseguem. A grande maioria delas emana uma fraca aura de existência, parecendo apenas um cenário pré-fabricado para a vivência humanam como conhecemos – anti-local, globalizada e urbana.

Feira de Santana deixou de viver sua própria vida aos poucos. Mesmo sendo a segunda maior cidade da Bahia em termos de economia e população, deve estar entre as últimas em condição de espírito. Como todas as cidades, Feira acomoda histórias incríveis, mas a grande maioria delas são mistérios realmente secretos, quase mortos.

Desfile comemorativo ao Centenário de Feira de Santana

Desfile comemorativo ao Centenário de Feira de Santana

Quantos moradores de Feira conhecem a lenda do Bicho do Tomba? E os significados do mural da rodoviária, uma metáfora anti-ditadura? Além do nome de Lucas da Feira, o que mais os feirenses sabem sobre ele e seu bando? Ruy Barbosa foi professor em Feira de Santana, numa época gloriosa em que até mesmo o filósofo Sartre a visitava. Dizer que se morava nessa cidade era sinal de distinção, pois as damas e cavalheiros de Feira de Santana eram associados à alta cultura e bom gosto.

Novamente indago, quantos feirenses sabem disso? As raízes de Feira de Santana são bastante renegadas nas escolas, pela população e pela mídia local. O Museu Casa do Sertão não é um chamariz popular, o Centro de Abastecimento não toma as ruas como as antigas feiras e o vaqueiro, um dos símbolos da cidade, mal é visto no noticiário local, a não ser quando próximo de eventos ligados à criação e exposição de gado.

Creio que a razão da História feirense ter perdido seu valor é o fato da cidade ter passado transformações cada vez mais impactantes no seu desenvolvimento rumo à sua atual plenitude como potência comercial baiana. Novos “mitos” surgiram, como o Feiraguai, mas a transição entre a Feira que foi até o fim dos anos 80 para a Feira dos últimos quinze anos foi bastante brusca e traumática para o espírito da cidade. Prédios históricos foram demolidos e os outros não farão falta para a maioria dos moradores da cidade. Todos conhecem os personagens das novelas, as músicas do TOP 10 da rádio e os livros best-sellers, mas não possuem acesso fácil a produções locais.

Baile na Sociedade 25 de Março

Baile na Sociedade 25 de Março

Para aprender o que sei sobre a cidade, tive de desbravar a cidade: procurar acadêmicos da área de História, visitar todos os museus da cidade, pesquisar na Internet, fuçar sebos, abordar desconhecidos nas ruas. Tudo isso para escavar uma ponta da trama que acompanha a cidade desde seu nascimento.

Pretendo contribuir com minha cidade natal contando as histórias que sei delas. Falar sobre o medo que corria as veias das donzelas ao imaginar o hálito quente do Bicho do Tomba; sobre o comunista autodidata e poliglota que habita o bairro Kalilândia e que fugiu da morte na ditadura; sobre o argentino pintor a caminhar e resmungar pelas ruas de Feira de Santana, que esconde uma inteligência rara e pouquíssima preconceituosa; das filarmônicas orgulhosas e ávidas por vencer a disputa do gosto popular e, claro, sobre o homem-mita que carrega a cidade no nome: Lucas da Feira.

Antiga feira livre na praça João Pedreira

Antiga feira livre na praça João Pedreira

Eu e Marcos Franco – um grande, porém desconhecido, artista de Feira de Santana – estamos escrevendo a biografia de Lucas da Feira em quadrinhos. Esperamos concluir o roteiro até o fim de 2009, para procurar patrocínio para sua impressão. Se tudo der certo, em 2010 estaremos retornando à Feira de Santana uma história já contada e recontada através do cordel, mas através de quadrinhos. Lutamos para que seja algo novo e surpreendente para a população da cidade, e que essa surpresa os leve a uma catarse que os una em sinergia com a cidade que os circunda. O espírito de Feira de Santana precisa rejuvenescer.

Fonte das Imagens: http://www.radionordestefm.com.br/imgs/jacobina/01.jpg


Forma versus conteúdo: um improvável confronto entre Literatura e Quadrinhos

06/02/2009

há distinção entre texto (supostamente o conteúdo) e imagem (supostamente a forma)?

Quadrinhos: há distinção entre texto (supostamente o conteúdo) e imagem (supostamente a forma)?

Sandman foi aclamado como um quadrinho para intelectuais e Neil Gaiman, seu criador, elogiado por suas capacidades literárias. Os elogiadores esquecem que quadrinhos não são um subgênero literário como o romance ou o conto. O quadrinho é uma arte autônoma – até onde se é possível separar uma arte da outra nos tempos atuais.

Analisando a nomeação do Sandman como “ascendente às esferas literárias”, parto para a divisão vista nos quadrinhos: texto e imagem. Os textos de Gaiman são ditos literários e capazes de uma narração surpreendente. As imagens, menos comentadas que os textos, são tidas por muitos dos críticos da obra como responsáveis pelo clima de terror. A inserção do texto de Gaiman no paradigma do “bem escrito” e do “bom contador de histórias” opõe-se aos desenhos que operam apenas para complementar o conteúdo das histórias. Servem apenas para dar forma ao escrito por Gaiman.

Nesse sentido, os críticos têm se resguardado à tradicional visão de que repousa na Literatura o dom de narrar boas histórias. Transpondo-se aos quadrinhos, esse conceito conforma a crença de que no roteiro (literário) residiria o conteúdo narrativo, enquanto que nos desenhos, estaria a forma que apresenta o conteúdo. Uma idéia bastante frágil, mas que ainda domina a maneira como os quadrinhos são encarados e que cria um conflito binário bizarro entre forma (como sendo os quadrinhos) x conteúdo (representado pelo roteiro dos quadrinhos, mas tendo sua representação máxima, neste caso específico, na Literatura).

A divisão em forma e conteúdo vem sofrendo críticas há muito tempo, dos formalistas russos aos teóricos da formatividade da arte. É cada vez mais concordante, entre os acadêmicos, que muitas vezes o suposto conteúdo da mensagem só significa algo a depender da maneira como a forma o modula. Em Sandman, não importa apenas a descrição alto-astral que Gaiman faz da Morte, como também cada acessório que reveste seu corpo e a maneira como arruma os cabelos. A Morte se porta como uma cantora gótica dos anos 80, mas com um lado punk bastante vívido, informações não contidas em seus textos de descrição pela HQ, mas que se configuram também como conteúdo. Nesse aspecto, não se pode esquecer que cada recordatório (caixinha de texto) possui diagramação e colorização própria em Sandman, o que dá forma a cada um dos textos escritos.

Portanto, os quadrinhos da série Sandman não devem ser vistos como literários, pois não são puro conteúdo e forma escritas. O desenho é diferente da escrita e possui seus conteúdos e formas. E conteúdo e forma, não importa em qual arte seja, encontram-se miscigenados e imiscíveis. Note, por exemplo, a sensação que temos ao escutar a música como Smells Like Teen Spirit na versão original cantada pelo Nirvana e na versão da inglesa Tori Amos: é apenas a forma que muda, ou os sentimentos que afloram na audição são outros? Creio que conteúdo e forma mudam igualmente.

Por fim, é bom perceber que não é dom exclusivo ou supremo da Literatura o de contar histórias. Quadrinhos, cinema e quaisquer outras artes podem fazer isso com igual competência. O reconhecimento literário da obra Sandman é bastante importante exatamente por validar esta competência narrativa, e só. Quadrinhos e Literatura são artes, por igual, mas que possuem contornos diferentes. Sem oposições, sem necessidade de dicotomias baratas.


Turma da Mônica Jovem 6 dá uma guinada rumo ao espaço e à boa qualidade das histórias

05/02/2009

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Não perco Turma da Mônica Jovem por nada. Algumas pessoas me perguntam “Por que comprar se você não gosta? Pra que dar dinheiro a eles?”. Posso não gostar das histórias e fazer críticas a elas, mas continuarei a comprar porque meu prazer em ler a Turma da Mônica é acompanhar de perto as comunidades de leitores da revista e, me posicionando como leitor de quadrinhos, avaliar a obra, para, discursivamente, dar alguma contribuição para ela.

Confesso que a edição anterior era do tipo que poderia me fazer desistir de continuar colecionando, mas uma novidade me fez voltar atrás: a contratação de Marcelo Cassaro como roteirista. Não é a primeira vez que Cassaro trabalha com Mauricio de Sousa, mas conheço seu trabalho da revista Dragão Brasil, voltada para os RPGs. Cassaro sempre foi uma mente criativa lá dentro, criando o cenário de Tormenta (junto com Rogério Saladino e J.M. Trevisan), o rpg 3D&T e a série de quadrinhos Holy Avenger. Cassaro sempre se demonstrou eficiente em desenvolver cenários, personagens e tramas – habilidades necessárias a um bom mestre de RPG. E isso fica bem claro em Turma da Mônica Jovem#6 – a melhor edição até o momento.

Cassaro muda o foco das aventuras do dia-a-dia, que não deram muito certo, para um terreno que lhe é bastante íntimo, o da ficção científica. Ele faz isso sem esquecer das relações dos personagens, aliás, faz de forma mais interessante e ampla do que vinha acontecendo nas últimas revistas. Claro que o público focado pela revista, 10-14 anos, se agradou pela abordagem bem humorada das personagens e a revista poderia prosseguir assim, porém Cassaro resolveu dar um tom mais sério em algumas passagens, como na briga entre Cebola e Mônica, quando ele a chama de egoísta e ela chora escondida de todos. O roteirista conseguiu realizar uma cena sem excessos, bastante humanizadora e tangível – ele adensou os personagens. Parece o estágio inicial do tipo de enredo que eu gostaria de ver em TMJ, rumando para conversas mais abertas sobre outros temas.

A narrativa de TMJ#6 não parece rápida e meio desorientada como nas edições anteriores, e consegue prender facilmente. A cada quatro nos é apresentado, de forma bastante criativa, alguma novidade exótica sobre a estação interplanetária ou algum elo com o passado da Turma da Mônica original. Mesmo não havendo muito andamento na trama, essa é uma edição sólida em suas perspectivas de tratamento dos personagens e cenários.

Dentre os elementos tecidos por Cassaro, está a inserção de uma figura extraterrestre bastante interessante e a reaparição de mechs (robôs gigantes), que reaproximam o quadrinho dos temas orientais e da forma mangá – por sinal, o mech lembra o Black Kamen Rider e algo do Jaspion. Esses elementos parecem saídos de uma história de mesa de RPG, notória pela presença de monstros, acontecimentos estranhos e muitos eventos rolando nas entrelinhas.

Uma novidade, entre os personagens é a presença de Franja entre os protagonistas. Sua presença em uma aventura espacial é justificada, mas ele está roubando a cena com os bons diálogos com o Astronauta. Eles servem para introduzir elementos de alta tecnologia a trama, sem esquecer do velho papo sobre valores humanos e uso das máquinas. O Astronauta é um personagem interessante, pois se tornou um homem ranzinza e solitário, ao contrário do personagem alegre da Turma original. Assim, vai se quebrando o bom mocismo politicamente correto de TMJ. Para caprichar mais, Cassaro não pode esquecer de dois personagens que estão sendo bem pouco desenvolvidos e são essenciais para a trama: Cascão e Magali.

Cassaro criou uma boa estrutura para explorar nos próximos números, mesmo se utilizando de elementos bem convencionais. Mas não se pode esquecer que Cassaro é um mestre, e sua narrativa sempre vai ser uma aventura bem descrita.

Espero as próximas edições, ansiosamente, como todos das comunidades Turma da Mônica Jovem.


2009 e os quadrinhos

03/02/2009

Primeiro mês de blog e apenas três posts. Um começo vergonhoso, mas, contando que tive apenas 400 acessos, não deve ter muita gente pra puxar minhas orelhas.

Janeiro de 2009 foi um dos meses mais importantes até hoje na minha formação para ser roteirista de quadrinhos.

Iniciei a escrita do roteiro da minha parceria vampiresca ao lado de Joe Santos. Abaixo, Mercúrio, informante de Kuei, o vampiro.

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Embarquei nos sonhos guardados de Marcos Franco, preparando-me para retomar um elo com o passado da minha cidade natal, Feira de Santana, e contar, junto a Marcos, uma história oral sobre uma das figuras mais violentas presentes em suas origens.

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Estou tendo o prazer de ver em desenvolvimento o conto sobre paradoxos e escolhas da personagem Penitência (criada por Marcos Franco). Este projeto tem roteiro meu e desenhos de Alex Classwar. Abaixo, a versão de Jean Okada para a Penitência.

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Por fim, ao lado do amigo e produtor cultural Rafael Raña, inscrevemos um projeto para um livro em quadrinhos no Edital Cultura LGBT, da Fundação Cultural do Estado da Bahia. A história no livro se chama O quarto ao lado e é uma história homoafetiva sobre dois amigos, um gay e um hetero, que se envolvem sexualmente. O desenho abaixo é de André Leal e apresenta os dois protagonistas.

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Por fim, há as leituras. Completei minha coleção do Sandman da Conrad e estou relendo todos os livros. É a quarta vez que leio Sandman e a cada leitura ela se torna mais rica . Isso, creio eu, se deva ao cuidado de Gaiman com o subtexto presente na obra: os diálogos e quadros costumam referenciar um universo extenso e em expansão, trazendo à tona a experiência de se perder em meio ao sublime, de imergir. Ler Sandman sempre é meio assustador, porque sempre é muito humano e real. É sobre sonho, melhor, é uma genealogia do ato de sonhar. É sobre como os sonhos podem nos regular e sobre como podemos regulá-los em resposta, e como podemos distribuir camadas de imaginação sobre cada aspecto bruto da nossa experiência de vida. É bom ler Sandman ao som de “La Petite Fille de la Mer” de Vangelis – experiência a mim oferecida indiretamente por uma desconhecida misteriosa e sensível.

E, por fim, teve a grata surpresa de ler Turma da Mônica Jovem #6 e gostar. Mas sobre isso, falarei no próximo post.