Turma da Mônica Jovem 6 dá uma guinada rumo ao espaço e à boa qualidade das histórias

turmadamonicajovem6

Não perco Turma da Mônica Jovem por nada. Algumas pessoas me perguntam “Por que comprar se você não gosta? Pra que dar dinheiro a eles?”. Posso não gostar das histórias e fazer críticas a elas, mas continuarei a comprar porque meu prazer em ler a Turma da Mônica é acompanhar de perto as comunidades de leitores da revista e, me posicionando como leitor de quadrinhos, avaliar a obra, para, discursivamente, dar alguma contribuição para ela.

Confesso que a edição anterior era do tipo que poderia me fazer desistir de continuar colecionando, mas uma novidade me fez voltar atrás: a contratação de Marcelo Cassaro como roteirista. Não é a primeira vez que Cassaro trabalha com Mauricio de Sousa, mas conheço seu trabalho da revista Dragão Brasil, voltada para os RPGs. Cassaro sempre foi uma mente criativa lá dentro, criando o cenário de Tormenta (junto com Rogério Saladino e J.M. Trevisan), o rpg 3D&T e a série de quadrinhos Holy Avenger. Cassaro sempre se demonstrou eficiente em desenvolver cenários, personagens e tramas – habilidades necessárias a um bom mestre de RPG. E isso fica bem claro em Turma da Mônica Jovem#6 – a melhor edição até o momento.

Cassaro muda o foco das aventuras do dia-a-dia, que não deram muito certo, para um terreno que lhe é bastante íntimo, o da ficção científica. Ele faz isso sem esquecer das relações dos personagens, aliás, faz de forma mais interessante e ampla do que vinha acontecendo nas últimas revistas. Claro que o público focado pela revista, 10-14 anos, se agradou pela abordagem bem humorada das personagens e a revista poderia prosseguir assim, porém Cassaro resolveu dar um tom mais sério em algumas passagens, como na briga entre Cebola e Mônica, quando ele a chama de egoísta e ela chora escondida de todos. O roteirista conseguiu realizar uma cena sem excessos, bastante humanizadora e tangível – ele adensou os personagens. Parece o estágio inicial do tipo de enredo que eu gostaria de ver em TMJ, rumando para conversas mais abertas sobre outros temas.

A narrativa de TMJ#6 não parece rápida e meio desorientada como nas edições anteriores, e consegue prender facilmente. A cada quatro nos é apresentado, de forma bastante criativa, alguma novidade exótica sobre a estação interplanetária ou algum elo com o passado da Turma da Mônica original. Mesmo não havendo muito andamento na trama, essa é uma edição sólida em suas perspectivas de tratamento dos personagens e cenários.

Dentre os elementos tecidos por Cassaro, está a inserção de uma figura extraterrestre bastante interessante e a reaparição de mechs (robôs gigantes), que reaproximam o quadrinho dos temas orientais e da forma mangá – por sinal, o mech lembra o Black Kamen Rider e algo do Jaspion. Esses elementos parecem saídos de uma história de mesa de RPG, notória pela presença de monstros, acontecimentos estranhos e muitos eventos rolando nas entrelinhas.

Uma novidade, entre os personagens é a presença de Franja entre os protagonistas. Sua presença em uma aventura espacial é justificada, mas ele está roubando a cena com os bons diálogos com o Astronauta. Eles servem para introduzir elementos de alta tecnologia a trama, sem esquecer do velho papo sobre valores humanos e uso das máquinas. O Astronauta é um personagem interessante, pois se tornou um homem ranzinza e solitário, ao contrário do personagem alegre da Turma original. Assim, vai se quebrando o bom mocismo politicamente correto de TMJ. Para caprichar mais, Cassaro não pode esquecer de dois personagens que estão sendo bem pouco desenvolvidos e são essenciais para a trama: Cascão e Magali.

Cassaro criou uma boa estrutura para explorar nos próximos números, mesmo se utilizando de elementos bem convencionais. Mas não se pode esquecer que Cassaro é um mestre, e sua narrativa sempre vai ser uma aventura bem descrita.

Espero as próximas edições, ansiosamente, como todos das comunidades Turma da Mônica Jovem.

23 respostas para Turma da Mônica Jovem 6 dá uma guinada rumo ao espaço e à boa qualidade das histórias

  1. Ótimo texto. Preciso conferir de perto essa nova edição.

  2. Val Oliveira disse:

    cara, ainda nao li nada desta nova Monica, e nao sei se vou ler,,, compro muita coisa por mes…. e nunca li nada desse CAssaro

  3. Roberto Pereira disse:

    O problema, Marcelo, é a esquisitice.
    Você tem 20 anos, certo?
    Tem o direito de ler o que quiser e lhe respeito por isso.
    Mas quero crer que existamm outros tantos títulos para serem não só lidos mas divulgados e analizados.
    Nada contra a “turma da mônica” mas, na minha opinião, você já tem idade o suficiente para ler quadrinhos de um pouco mais de nível, para pessoas um pouco mais letradas.
    Sabe como é, “turma da mônica” é gibi para criança e adolescente. Não me leve a mal, mas quero crer que você tem idade para ler outras coisas, não é mesmo?
    Ah, sim.
    Não será quebrado nenhum “bom mocismo” na história.
    Maurício de Souza é extremamente zeloso na abordagem temática de suas histórias.
    Divirta-se com seu gibi mas…
    Leia outras coisas mais adultas, valeu?
    Na boa.

  4. Renato Domingos disse:

    Já olhei, o roteiro amadureceu muito mesmo!!!

  5. Alocmey disse:

    Puta que pariu, tá zoando que acharam essa merda boa? Vão se foder.

  6. Sérgio Mortorelli disse:

    Boa qualidade e Marcelo Cassaro não se misturam.

    No mais, BK eu sou teu fã.

  7. Yard disse:

    curti muito, vou querer ver o resto do arco

  8. Leandro disse:

    muito legal a resenha, vou atras dessa revista

  9. Eduardo disse:

    Bom espero que o Cassaro não se esqueça que ele está escrevendo para personagens já criados. espero que ele não venha “reescrever” os personagens para “se destacar” tipo: Oh! o Marcelo Cassaro reescreveu os personagens da Turma… , ai depois ele sai fora, para tocar os seus “projetos” e o próximo que for escrever pega um abacaxi de caracteristicas que torna impossivel dar continuidade. Não sei se ele vai ter capacidade de escrever para personagens que não foi ele que criou.

  10. Yard disse:

    sei lá, há uns vinte anos o Cassaro já escrevia Trapalhões, personagens que ele não criou.

  11. Carolina disse:

    É perceptível mesmo uma mudança na narrativa da TMJ-6, e introduziu um certo mistério quanto ao prosseguimento da história, me lembrou uma campanha de RPG mesmo, quando ao finalizar uma cena, o mestre larga uma pista, algo não totalmente explicado, que não é rapidamente identificável e adivinhado. As quatros primeiras edições não possuem muito isso, as cenas parecem um tanto óbvias, sem surpresas para quem as lê.
    Mas ainda estou meio reticente em relação a revistinha, quero ver o desenrolar no 7° para então perceber se essa revista tem futuro ou não…

  12. Cara, de boa, só ouvi falar mal da Turma da Mônica Jovem, o que me desinteressou em ler algum dos números anteriores, mas sinceramente fiquei curioso para ler essa edição em que o Marcelo Cassaro está escrevendo!
    Ao meu ver, o grande problema da Turma da Mônica não só a jovem mas a tradicional é essa onda de “politicamente correto” que se abateu nos títulos.
    Quem já leu os títulos mais antigos, na época da editora abril e até mesmo na época dos queixos pontudos da Mônica e Cebolinha, sabe que as histórias eram mais divertidas e menos “certinhas” (hj em dia não se pode nem pintar os dentões da Mônica nas paredes)!
    E o Marcelo Cassaro para quem não acompanhou o trabalho dele, foi um dos grandes responsáveis do sucesso da revista Aventuras dos Trapalhões nos anos 90, com seus roteiros engraçadissimos mas principalmente com seu traço muito hilário (confesso que muito do meu estilo vem dele)! E vale lembrar que um profissional que está a mais de 15 anos está ativo no mercado nacional, é porq algo de bom ele tem!
    Espero que essa união seja promissora para todos, em especial para nós, leitores deste a infância da Turma da Mônica (sim, eu leio Cebolinha e Cascão até hj)!
    Bom, fica aqui a minha opinião!
    Abraço a todos!

  13. ANGELA DOMINGOS disse:

    ADOREI ESSA NOVIDADE! TURMA da monica jovem estilo mangá. pena que eu só tenho a ediçao 2 queria muito as outras a mas mesmo assim é muitooooo 1000000000000 :

    parabens mauricio de souza pelas ediçoes!!!

    turma da monica jovem sempreeee

  14. […] a boa qualidade da série, na parte dois do arco O Brilho de um Pulsar! Os pontos de destaque da edição anterior (maturidade dos personagens, ficção científica, narrativa cuidadosa, evolução dos desenhos e […]

  15. nathalia disse:

    adorei seu texto irado,amei
    bjs

  16. […] a crítica sobre a primeira parte da saga Brilho de um Pulsar venho admirado com a qualidade das histórias. De enredos fracos e reiterativos sobre o crescimento […]

  17. cara não acredito que esse babaca do alocmey comenta isso,eu ja tenho ate a edição 9!

  18. caroline disse:

    adooooooooooooooooooooooooooooooooorei

  19. Natalia disse:

    Eu acho que esse Roberto Pereira tem alguma coisa pessoal contra o Mauricio. Ô cara chato.

  20. amanda disse:

    a monica e mesmo apaixonada pelo cebola e o cebola por ela

  21. luiza disse:

    adoro turma da monica jovem se vc detesta vai detestar su vo vai

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