Turma da Mônica Jovem 7 consolida trama de ficção científica

turma_da_monica_jovem_007_em_baixa

Marcelo Cassaro prossegue mantendo a boa qualidade da série, na parte dois do arco O Brilho de um Pulsar! Os pontos de destaque da edição anterior (maturidade dos personagens, ficção científica, narrativa cuidadosa, evolução dos desenhos e diálogos entre Franja e o Astronauta) são desenvolvidos neste número.

Maturidade: Cebola e Mônica continuam mal se falando. Esta crise entre os dois personagens faz com que eles vão percebendo a saudade e aprendendo a tolerância entre si. Ao final da HQ é importante o close no rosto preocupado de Cebola, quando Mônica é teleportada por robôs do Império Karoton. Mesmo sem conversar com a amiga, ele não deixa de colocar de lado suas irritações quando é necessário se preocupar. Similar ao que acontece à Mônica, que releva seus ciúmes por Cebola e Xabéu para ajudar o Pulsar. É notável que a maturidade de Mônica é a que mais evolui, ao contrário de Cebola, o que parece evidenciar a crença de que meninas ‘crescem’ mais rápido que os meninos.
A personagem Usagi Mimi, mesmo sendo antagonista, tem comportamento adolescente e um conflito com o pai, porque deseja se tornar independente dele e obter uma posição de poder de destaque no Império. Esse conflito é retratado ligeiramente, mas parte de uma busca de por maturidade, que diferenças de gerações e a “velocidade” à que a adolescência está submetida, o que acaba por criar jovens prodígios estressados e ansiosos como a princesa.

Ficção Científica: Cassaro alimenta a imaginação dos fãs com informações interessantes sobre o universo que está explorando. Desde detalhes sobre a série Pulsar até os benefícios da gravidade zero para a medicina. Essas referências demonstram a habilidade do autor com a ficção científica, já encontrada em seu romance Espada da Galáxia. Por sinal, o robô da série Pulsar possui personalidade e poder que lembram os metalianos, alienígenas devotos de uma rainha a quem devem honrar e proteger.
A cena de invasão do Império Karoton à estação espacial é digna de um Star Wars ou um Star Trek, com planos majestosos de naves em uma quantidade absurda. Diante da invasão, os personagens não sabem o que fazer, numa impotência bastante sentida pelas expressões dos personagens e imponência dos adversários, principalmente com o holograma gigantesco de Usagi Mimi.

Narrativa: A trama não desanda em momento algum. Começa bem, com a Princesa Usagi Mimi e a partir daí se alterna entre os personagens de uma maneira bem enlaçada. O uso de poucas elipses dá ritmo à história, que acontece num breve período de tempo, abrindo possibilidade para a exploração acurada de cada fato ocorrido até a invasão. Assim, é construída a relação entre Mônica e o Pulsar, a aproximação de Xabéu e Cebola, as intenções de Usagi Mimi com a Terra e as discussões entre Astronauta e Franja, sem perder de vista as cenas de ação que permeiam a HQ.
Como disse Guilherme Kroll Rodrigues, do site Homem Nerd, sobre o trabalho de Cassaro na sexta edição, “a inspiração nos mangás é mais sutil por um lado, mas é constante. As cenas de batalha e a perseverança dos personagens podem encontrar paralelos perfeitos nos gibis japoneses.” A influência japonesa, neste número, está também na menção aos games, ao hentai (sim! eles lêem pornografia!) e no design dos robôs.

contra-capa-7

Desenhos: As ilustrações estão mais realistas, sem perder o lado caricato dos mangás de Osamu Tezuka, mas que aparece cada vez menos. Tem sido constante neste arco a utilização de linhas de tensão, aquelas traços na testa dos personagens ou cenários que indicam peso diante de uma situação agravante. Exemplos podem ser vistos no quadro 4 da página 76 e no quadro 2 da página 77 (que ainda utiliza um fundo preto para dar densidade). Assim, Turma da Mônica Jovem está ganhando um estilo mais misturado de desenho, sendo algumas características do mangá influentes nele. Por isso, creio que o “Em estilo mangá!” da capa já está ultrapassado, mas ajuda no marketing da revista.

Franja e Astronauta: Para mim, os dois são os personagens têm a relação mais interessante da HQ. Franja se desilude com seu herói, ao notar que suas ações correspondem ao de sua versão eletrônica nos jogos de videogame. Ao contrário do Astronauta de raciocínio rápido e pacifista da Turma da Mônica original, o encontramos agora estressado e violento. A discordância entre os personagens também funciona como uma crítica à lógica da tecnologia como opressora dos homens: Franja nunca perde de vista que a inteligência humana pode fazer paz ou guerra com a técnica, e ele escolhe a primeira. Na conclusão da parte dois, uma reconciliação acontece, com a união dos dois personagens para imaginar uma maneira de contornar a invasão Karoton. Provavelmente, Franja despontará como herói, igualando o Astronauta.

As ausências de Magali e Cascão ainda se fazem sentir. Magali serve de “orelha” para Mônica e Cascão tem menos participação ainda. Gostaria de ver os fãs dos dois se manifestando!

Preview do Card Game de TMJ. Parece que vai ser bem simples, como os card games do Pokémon da Elma Chips.

Preview do Card Game de TMJ. Parece que vai ser bem simples, como os card games do Pokémon da Elma Chips.

Cassaro está capitaneando bem a Turma da Mônica Jovem, estou tendo prazer em lê-la. Acho apenas que a edição deveria custar menos =P Bem, e uma novidade é anunciada nesta edição: lançamento, em breve, de cards games da TMJ. É aberta, assim, a possibilidade de animes, RPGs e videogames baseados no produto. Isso é bom, creio que TMJ será a porta de entrada para novos RPGistas, jogadores de videogames, etc. Ficarei de olho em como a revista pode estimular outros setores econômicos.

Abraços

7 respostas para Turma da Mônica Jovem 7 consolida trama de ficção científica

  1. Luna disse:

    Gosto muito de TM, mas parei de ler. Não gosto desse rumo de ficção científica que as histórias estão tomando. Prefiro o cotidiano, o dia-a-dia… Ao Maurício de Souza, mesmo assim, parabenizo pelos desenhos que são lindos, principalmente Mônica e Marina.

  2. johnny disse:

    uhauhauhauhuhauh que ridiculo, eu li essa hq 7 hoje (sem nem ler as outras) mas a monica ir paa uma estação espacial em marte, e indicios de que ela é uma princesa alienigena de seres coelhos humanoides malucos é viajem demais né, e o robo sansão é muita apelação

  3. Edu disse:

    Esse arco escrito pelo Cassaro é muito bom. Acabei de ler a terceira e última parte. Minha única tristeza é que o próximo número vai voltar a ser aquela melação shojo que foi a 5😦

  4. […] maneira como se apresentava no dia-a-dia: um homem austero, violento e distante. Esse dilema gerou diversos bons diálogos, sobre violência e usos da ciência e nesse número o conflito termina de maneira que não […]

  5. ARQUEIRO VESGO disse:

    Também não gosto dessas “viagens” interplanetárias, não. Prefiro as histórias do dia-a-dia. Falta esse pessoal se ligar, que aí é que está o segredo do sucesso da revista. O resto, é resto!!!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: