Dia 24/09 é dia de cultura popular, música e quadrinhos no Museu de Arte Contemporânea!

21/09/2010

Após um bem sucedido pré-lançamento no Aberto do CUCA, o álbum em Quadrinhos “Lucas da Vila de Sant’Anna da Feira” terá coquetel de lançamento no dia 24/09 (próxima sexta-feira), a partir das 19 horas, no Museu de Arte Contemporânea de Feira de Santana (ao lado da Biblioteca Municipal Arnold F. Silva). A obra, patrocinada pelo MinC/BNB, através do Edital de Microprojetos Culturais, recria a história de Lucas da Feira, uma das maiores figuras históricas da cidade de Feira de Santana e região circunvizinha. Uma prévia da história pode ser lida aqui: http://issuu.com/roteirizandohq/docs/lucasdafeirahq

Além deste lançamento, será lançado no event a HQ Kuei e a Senhora de Sárvár, de autoria do roteirista Marcelo Lima e do desenhista Joel Santos, que narra as aventuras do vampiro arqueólogo Kuei em busca da cultura já extinta dos vampiros que moravam na Terra.


Página da HQ “Kuei e a Senhora de Sárvar”

Acontecerá, também, bate-papo com os autores, oficina gratuita de roteiro e desenho de quadrinhos (patrocinadas pela Funceb), exposição de ilustrações e show do Bando Farinha de Guerra. Venha para nossa festa!

O quê: Lançamento da HQ “Lucas da Vila de Sant’Anna da Feira” + HQ “Kuei e a Senhora de Sárvar” + show do Bando Farinha de Guerra + Exposição de Ilustrações + Oficina de História em Quadrinhos

Quando: 24/09/2010 A partir das 19 horas, exceto a oficina que acontecerá das 14-17h (desenho); a exposição ficará do dia 24/09 até o dia 24/10

Onde: Museu de Arte Contemporânea de Feira de Santana – Rua Geminiano Costa, n°255, Centro, ao lado da Biblioteca Municipal Arnold F. Silva

Quanto: Entrada franca no evento e oficina gratuita. As HQs estarão sendo vendidas por: “Lucas da Vila de Sant’Anna da Feira” – R$10; “Kuei e a Senhora de Sárvar” – R$5

Contatos:
Inscrição na oficina e contato sobre o evento: marcelocaterpillar@gmail.com/marcosfranco@ymail.com/lucasdafeirahq@gmail.com
Telefones: (75)9993 – 2443 [Marcelo]/(75)8833 – 3798 [Marcos}
blog: www.roteirizandohq.wordpress.com
orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=105338431
twitter: www.twitter.com/olucasdafeira

Para conhecer mais sobre a HQ “Lucas da Vila de Sant’Anna da Feira”: http://bit.ly/9FSfnW

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Prévia do álbum “Lucas da Vila de Sant’Anna da Feira” + Pré-Lançamento no ABERTO CUCA 2010

13/09/2010

Pré-lançamento do álbum “Lucas da Vila de Sant’Anna da Feira” dia 17/09 (próxima sexta), durante o Aberto 2010 do CUCA (Centro Universitário de Cultura e Arte), a partir das 08h até as 23h!

A HQ “Lucas da Vila de Sant’Anna da Feira” recria a história de Lucas da Feira, uma das maiores figuras históricas da cidade de Feira de Santana e região circunvizinha. Você ler uma prévia da história aqui: http://issuu.com/roteirizandohq/docs/lucasdafeirahq

O coquetel oficial de lançamento será no dia 24/09, a partir das 19h, no Museu de Arte Contemporânea de Feira de Santana, juntamente com o lançamento da  Revista Área 71, contando com show do Bando Farinha de Guerra.
Para obter mais informações:
Contamos com a sua presença!


Una-se ao Bando de Lucas da Feira

04/09/2010

Lugar aonde nasci
Eu vou prêso pra Bahia
Levo saudades de ti,
Sabendo que vou morrer,
Talvês eu não volte aqui!
Trecho do ABC de Lucas

Projeto Lucas da Feira em Quadrinhos está em sua reta final!

O bando responsável pela quadrinização de uma das figuras negras mais importantes da Bahia – e por consequência do Brasil – o convida para acompanhar o final dessa aventura de perto. Para isso, siga o Twitter do projeto: @olucasdafeira e também junte-se a comunidade do Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=105338431 Assim, você acompanhará os passos derradeiros de Lucas da Vila de Sant’Anna da Feira para saber sobre as datas de lançamento, promoções e vendas da HQ.

Se ainda não conhece o projeto, para matar sua curiosidade seguem a sinopse, biografia dos autores e os comentários dos primeiros (e prestigiados) leitores da obra que é patrocinada pelo Banco do Nordeste/Ministério da Cultura através do Edital de Microprojetos Culturais. O álbum terá pré-lançamento em Feira de Santana no dia 17/09, durante o Aberto 2010 do CUCA e coquetel oficial de lançamento dia 24/09, no MAC – Feira de Santana, juntamente com o lançamento da Revista Área 71, contando com show do Bando Farinha de Guerra. Fiquem atentos!

Sinopse

Quem foi Lucas da Feira? Até hoje não existem dados precisos que detalhem quem foi o negro que se rebelou contra a sociedade escravocrata em que viveu. Sabe-se que atuou nos arredores da atual cidade de Feira de Santana, nos começos do século XIX, atacando tropeiros que iam ou vinham da Feira do Gado. Alguns dizem que fazia isso para depois repartir com outros negros e pobres, outros afirmam que nunca passou de um psicopata desumano. Longe de responder a essas questões, a obra Lucas da Vila de Sant’Anna da Feira busca dialogar com diversas fontes, oficiais ou não, para mostrar uma história possível da personagem, suas motivações e assim reapresentar esse mito histórico brasileiro para os leitores do século XXI.

Breves críticas

“…nesta obra nos é apresentado um ilustre “desconhecido” da História do Brasil, e não por isso menos importante” José Salles, Professor de História, roteirista de quadrinhos e editor da Júpiter II

“É com orgulho que se aprecia uma HQ onde, a cada quadro, se percebe o prazer com que se quis contar a história de Lucas da Feira, através de narrativa ágil e detalhada, junto a uma arte bela e envolvente” Gustavo Machado, desenhista de quadrinhos.

“Adorei ‘Lucas da Vila de Sant’Anna da Feira’(…), bela celebração à escrita e delicioso antídoto contra essa memória amnésica de que grande parte de nós é feita.” Júlio Emílio Braz, escritor de literatura infanto-juvenil e roteirista de quadrinhos.

“ …é uma criativa obra que resgata parte da memória do nosso País e que agrada, não só pelo belo visual artístico, como também pelo seu conteúdo histórico!” Elmano Silva (Mano), quadrinhista, artista plástico, teatrólogo e poeta.

” …cavalheiros da novíssima geração de quadrinhistas brasileiros com o estufo ideal para narrar parte da intensa aventura que foi a vida de Lucas da Feira.” Sebastião Seabra, Mestre do Quadrinho Nacional

“Além de prestar homenagem aos mitos e artes populares, o cordel, as trovas e aboios, os autores manejam bem a arte dos quadrinhos, (…) compondo na mente do leitor um filme ilustrado, com ares de épico”. Spacca, quadrinhista.

” …narrativa comovente da vida de um homem destemido e sensível que decidiu fugir da atávica escravidão para viver sua liberdade, mesmo que turbulenta, por longos vinte anos”. Júlio Shimamoto, Mestre do Quadrinho Nacional.

“A polêmica trajetória do lendário escravo Lucas de Feira, misto de herói e salteador, ressurge em pleno século XXI, no traço vigoroso de Hélcio Rogério, e no roteiro denso e embasado”. Carlos Ribeiro, escritor e professor da UFRB.

Autores
Hélcio Rogério (ilustração) –
Nasceu em 1973, na cidade de Feira de Santana, Bahia. Trabalha como ilustrador e arte-finalista para revistas, jornais e agências publicitárias. Autodidata, iniciou sua carreira como ilustrador de quadrinhos em 1998, participando da revista independente Brazuca Comics, publicada pelo Museu de Arte Contemporânea de Feira de Santana. Desde então tem colaborado em jornais locais e diversas revista
nacionais a exemplo da Impacto, Lorde Kramus, Billy the Kid, Tianinha e Área 71. Dono de um traço forte e dinâmico, possui como principais influências os desenhistas Mozart Couto, Rodval Matias, Julio Shimamoto, John Buscema e Frank Miller. helciorogerio@gmail.com

Marcos Franco (pesquisa e roteiro) –
Nasceu em Feira de Santana, em 1975, e atualmente reside em Cachoeira, onde estuda Museologia na Universidade Federal do Recôncavo Baiano. Atua como roteirista de Quadrinhos desde 1994, tendo trabalhos publicados em revistas como Turma do Xaxado, Impacto, Boca do Inferno, Projeto Continium, Tempestade Cerebral e Área 71. Também participou de diversos fanzines brasileiros, da Expofanzines – Mostra Internacional de Fanzines de Ourense, na Espanha – e foi vencedor do 2° Concurso Nacional de Roteiros, promovido pelo HQ Festival Sergipe de Quadrinhos. Sempre foi amante de quadrinhos nacionais e cultura popular nordestina, tendo como influências os roteiristas brasileiros Rubens Francisco Lucchetti, Júlio Emílio Braz, Elmano Silva, Ataíde Braz e Gian Danton. marcosfranco@ymail.com

Marcelo Lima
(pesquisa e roteiro) Nascido a 1989 na cidade de Sant’Anna. Conclui a graduação em jornalismo e pesquisa histórias em quadrinhos jornalísticas pelo Instituto de Letras da UFBa. Foi um dos vencedores da 10ª Feira HQ do Piauí, na categoria Roteiro, e premiado no Intercom Nordeste do Piauí pela HQ “Marcha da Maconha em Quadrinhos”. É roteirista da HQ “Kuei e a Senhora de Sárvar”, em parceria com Joel Santos, e editor da revista baiana “Área 71”. Ainda não sabe quais influências têm, mas
ama a ideia de misturar quadrinhos e cultura nordestina, suas duas grandes paixões. Gosta do interior e adora a capital, vivendo em um eterno trânsito de corpo e espírito. marcelocaterpillar@gmail.com


Conheça as revistas do Studio Furia

16/06/2009

Em Feira de Santana, minha cidade natal, Anton Dinarom e seu Studio Fúria têm publicado revistas em quadrinhos sobre fantasia medieval, anjos e demônios e até mesmo histórias locais. O Studio ainda está no começo, mas pode crescer bastante. Compre e apoie.

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Semeando Lucas da Feira I – Conversa com Jairo Cedraz e Clóvis Ramaiana

21/03/2009

Lucas da Feira – nem bandido, nem herói

Como dito num post passado, inicio agora o diário de bordo sobre as reflexões na construção do quadrinho Lucas da Feira. Eu e Marcos Franco demos os primeiros passos na coleta de informações sobre a história do “demônio negro”. Na verdade, foram os meus primeiros passos, uma vez que Marcos pesquisa há mais de 10 anos sobre o assunto.

Conversamos com o arquiteto Jairo Cedraz e o professor universitário Clóvis Ramaiana. Ambos foram bastante atenciosos e nos esclareceram pontos importantes relacionados à razão de Lucas ser, ao mesmo tempo, presente e deslocado na cultura feirense. Falo agora sobre as reflexões construídas naquele dia.

Lucas viveu no século XIX, contemporâneo dos imperadores D.Pedro I e II. O poder político no Brasil era concedido pelo Imperador às câmaras de vereadores locais, e estes recebiam-no como um privilégio pessoal e não como poder público (de fato, não havia uma assistência pública). Os coronéis compravam suas patentes e obtinham cargos “públicos” que beneficiavam apenas a si mesmos. Portanto, a diferença social nesta época era corroborada pela transferência de poder político (além do racismo). Assim, havia homens extremamente poderosos e uma grande maioria de pessoas desamparadas.

Estes homens poderosos ficavam impunes em crimes que cometessem contra a população não-privilegiada. Estupros, extorsões e assassinatos eram praticados com o aval, tácito e silencioso, do Imperador. As roupas que vestiam, trazidas da Europa, emolduravam seus ares de superioridade e caminhavam como deuses que podem tomar o que desejar, assim que quisessem.

A população desprestigiada, além de sofrer os males diretos por parte de alguns desses homens, era desprezada em situações graves como nas primeiras investidas de Lucas. As pessoas sofriam, mas como era gente qualquer, não existia maneira de reivindicar investimento do Império para caça de Lucas.

Lucas entendeu como se comportava sua sociedade e meio político e tirou proveito disso para alcançar uma condição de vida melhor que a dos negros da sua época.

Como explicado acima, os crimes contra a maior parte da população da Vila de Feira de Santana e região circundante passavam impunes porque não eram dirigidas às autoridades políticas. Lucas nunca afrontou um homem de privilégios, por temer uma represália financiada pelo poder imperial.

Há rumores que dizem que Lucas utilizava elementos do vestuário do homem branco, como camisas de algodão, sapatos de couro e chapéu. A apropriação desses itens de representação social por Lucas transferia a imponência, vista no branco, para o homem negro.

As ações “fora-da-lei” de Lucas se igualavam às ações “dentro-da-lei” dos homens de prestígio – estupro, assassinato e extorsões, como eu disse acima. Há pessoas que criticam essa “resposta social”, pois acusam Lucas de abusar da violência física com pessoas inocentes – relatos dos crimes de Lucas revelam agressões cruéis como apregamento de lábios. No entanto, não devemos esquecer que para um “fora-da-lei” a demonstração de violência tem função pedagógica, ensina com quem não se deve mexer. Assim, ele fazia o que o homem branco e poderoso fazia.

Para garantir sua longa carreira como criminoso[1], Lucas ajudava um número de pessoas do povo, em troca de informações e outros tipos de favores. Assim, mesmo sendo odiado pelo povo, tinha seus representantes na Vila, que o avisavam das necessidades de se proteger ou compravam artigos de necessidade, como alimentos.

É notável a organização que Lucas desenvolveu ao seu redor. Ele usou o banditismo como meio de vida e expressão de indignação social numa sociedade que não considerava o negro como homem e perdoava os diversos atos cruéis dos brancos. Mesmo sem haver provas que nos levem a pensar que ele agiu a favor dos negros, sua aquisição de poder lhe confere status de rebeldia e inspiração para os escravos que desejam livrar-se de sua condição.

É notável a organização que Lucas desenvolveu ao seu redor. Ele usou o banditismo como meio de vida e expressão de indignação social numa sociedade que não considerava o negro como homem e perdoava os diversos atos cruéis dos brancos. Mesmo sem haver provas que nos levem a pensar que ele agiu a favor dos negros, sua aquisição de poder lhe confere status de rebeldia e inspiração para os escravos que desejam livrar-se de sua condição.

Acredito que o personagem deve ser retomado, por sua associação simbólica com a cidade de Feira de Santana, seus moradores de hoje e a desintegração da identidade local da cidade. Nos anos 60 e 70 isso foi feito, a faceta rebelde de Lucas foi articulada por cordelistas que resistiam poeticamente às opressões da ditadura. Agora, pretendo, juntamente com Marcos, resgatar para um público maior, feirense, uma história importante na construção do imaginário da cidade – que anda cada vez menos inteligível.

Veja imagens e mais artigos sobre Feira de Santana e Lucas da feira nos links:

https://roteirizandohq.wordpress.com/2009/03/01/o-que-voce-sabe-sobre-lucas-da-feira/

https://roteirizandohq.wordpress.com/2009/02/10/recontando-feira-de-santana-em-quadrinhos/

https://roteirizandohq.wordpress.com/2009/02/17/manu-chao-lucas-da-feira-cultura-lgbt-e-gerundio-novidades-pre-carnaval/

https://roteirizandohq.wordpress.com/2009/02/03/2009-e-os-quadrinhos/

https://roteirizandohq.wordpress.com/2009/01/09/terradeluca/


[1] Os documentos indicam cerca de dez anos de atividade criminosa. Naquela época, seria comum a própria população matá-lo numa emboscada, tão logo que cometesse seus primeiros crimes.


O que você sabe sobre Lucas da Feira?

01/03/2009

Sabemos por algumas pessoas que ele foi ladrão. Outras dizem que não era um verdadeiro criminoso, pois roubava dos ricos para dar aos pobres. Outros só conhecem o seu nome. Outros, nem mesmo possuem informação alguma sobre sua existência.

Os feirenses evocam o nome de Lucas de quando em quando, mesmo que conheçam tão pouco sobre quem estão falando. Isso decorre do fato de Lucas ter se formado mito mais do que personagem histórico. Há inúmeras versões orais sobre a trajetória de vida de Lucas, cada uma com suas próprias datas e personagens, além de uma gama de cordéis, da qual podemos destacar o ABC de Lucas. Os documentos históricos sobre ele são escassos e se encontram no Museu Casa do Sertão, de difícil acesso para a maioria dos visitantes.

É por isso que lanço a pergunta a todos que acessam esse blog, especificamente para os moradores de Feira de Santana: o que você sabe sobre Lucas da Feira? Pode ser qualquer curiosidade acerca dele. Vamos tentar remontar algumas histórias sobre Lucas e ver até onde chegamos perto dos mistérios que o cerca. Essa contribuição se refletirá na construção da obra em quadrinhos sobre o personagem.

Participe comentando ou mandando email para marcelocaterpillar@gmail.com

P.S.: Os próximos posts serão o diário de bordo do processo da pesquisa para o roteiro do quadrinho sobre Lucas da Feira.


Recontando Feira de Santana em quadrinhos

10/02/2009

Mercado Municipal, hoje Mercado de Arte Popular

Mercado Municipal, hoje Mercado de Arte Popular

Toda cidade possui sua coleção de mistérios, segredos e histórias. Desde os mitos fundacionais, àqueles mais ligados a localidades específicas dentro da cidade. Algumas cidades possuem, em seu estado de ser, maior força de demonstrar o quanto foi forjada por suas histórias acontecimentos – não são muitas as cidades que conseguem. A grande maioria delas emana uma fraca aura de existência, parecendo apenas um cenário pré-fabricado para a vivência humanam como conhecemos – anti-local, globalizada e urbana.

Feira de Santana deixou de viver sua própria vida aos poucos. Mesmo sendo a segunda maior cidade da Bahia em termos de economia e população, deve estar entre as últimas em condição de espírito. Como todas as cidades, Feira acomoda histórias incríveis, mas a grande maioria delas são mistérios realmente secretos, quase mortos.

Desfile comemorativo ao Centenário de Feira de Santana

Desfile comemorativo ao Centenário de Feira de Santana

Quantos moradores de Feira conhecem a lenda do Bicho do Tomba? E os significados do mural da rodoviária, uma metáfora anti-ditadura? Além do nome de Lucas da Feira, o que mais os feirenses sabem sobre ele e seu bando? Ruy Barbosa foi professor em Feira de Santana, numa época gloriosa em que até mesmo o filósofo Sartre a visitava. Dizer que se morava nessa cidade era sinal de distinção, pois as damas e cavalheiros de Feira de Santana eram associados à alta cultura e bom gosto.

Novamente indago, quantos feirenses sabem disso? As raízes de Feira de Santana são bastante renegadas nas escolas, pela população e pela mídia local. O Museu Casa do Sertão não é um chamariz popular, o Centro de Abastecimento não toma as ruas como as antigas feiras e o vaqueiro, um dos símbolos da cidade, mal é visto no noticiário local, a não ser quando próximo de eventos ligados à criação e exposição de gado.

Creio que a razão da História feirense ter perdido seu valor é o fato da cidade ter passado transformações cada vez mais impactantes no seu desenvolvimento rumo à sua atual plenitude como potência comercial baiana. Novos “mitos” surgiram, como o Feiraguai, mas a transição entre a Feira que foi até o fim dos anos 80 para a Feira dos últimos quinze anos foi bastante brusca e traumática para o espírito da cidade. Prédios históricos foram demolidos e os outros não farão falta para a maioria dos moradores da cidade. Todos conhecem os personagens das novelas, as músicas do TOP 10 da rádio e os livros best-sellers, mas não possuem acesso fácil a produções locais.

Baile na Sociedade 25 de Março

Baile na Sociedade 25 de Março

Para aprender o que sei sobre a cidade, tive de desbravar a cidade: procurar acadêmicos da área de História, visitar todos os museus da cidade, pesquisar na Internet, fuçar sebos, abordar desconhecidos nas ruas. Tudo isso para escavar uma ponta da trama que acompanha a cidade desde seu nascimento.

Pretendo contribuir com minha cidade natal contando as histórias que sei delas. Falar sobre o medo que corria as veias das donzelas ao imaginar o hálito quente do Bicho do Tomba; sobre o comunista autodidata e poliglota que habita o bairro Kalilândia e que fugiu da morte na ditadura; sobre o argentino pintor a caminhar e resmungar pelas ruas de Feira de Santana, que esconde uma inteligência rara e pouquíssima preconceituosa; das filarmônicas orgulhosas e ávidas por vencer a disputa do gosto popular e, claro, sobre o homem-mita que carrega a cidade no nome: Lucas da Feira.

Antiga feira livre na praça João Pedreira

Antiga feira livre na praça João Pedreira

Eu e Marcos Franco – um grande, porém desconhecido, artista de Feira de Santana – estamos escrevendo a biografia de Lucas da Feira em quadrinhos. Esperamos concluir o roteiro até o fim de 2009, para procurar patrocínio para sua impressão. Se tudo der certo, em 2010 estaremos retornando à Feira de Santana uma história já contada e recontada através do cordel, mas através de quadrinhos. Lutamos para que seja algo novo e surpreendente para a população da cidade, e que essa surpresa os leve a uma catarse que os una em sinergia com a cidade que os circunda. O espírito de Feira de Santana precisa rejuvenescer.

Fonte das Imagens: http://www.radionordestefm.com.br/imgs/jacobina/01.jpg