Turma da Mônica Jovem 8 conclui o arco Brilho de um Pulsar

14/04/2009

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Desde a crítica sobre a primeira parte da saga Brilho de um Pulsar venho admirado com a qualidade das histórias. De enredos fracos e reiterativos sobre o crescimento dos personagens, as HQs da Turma da Mônica Jovem passaram a retratar personagens que realmente se parecem adolescentes e diferentes de suas versões infantis. Dos antigos personagens os que mais tiveram atenção foram Franja e Mônica, sobre os quais falarei.

Franja e a violência

Franja esteve dividido entre sua devoção por uma figura do Astronauta e a aceitação dele da maneira como se apresentava no dia-a-dia: um homem austero, violento e distante. Esse dilema gerou diversos bons diálogos, sobre violência e usos da ciência e nesse número o conflito termina de maneira que não esperava. O Franja dá uma lição de inteligência para o Astronauta, ao analisar conceitos de gravitação, e percebe que a violência é importante para se manter a paz e para se defender. HQs que tocam nesse tipo de discussão criando uma dicotomia inteligência (paz) X violência (guerra) esquecem que na verdade esses conceitos andam de mãos dadas. Isso foi bem demonstrado em TMJ 8.

A violência, por sinal, foi elemento constante nessa saga. Pelo menos por três vezes Mônica foi eletrocutada, para se ter um exemplo. Esse enfoque nas agressões físicas foi privilegiado por desenhos muito bons. Ao contrário de TMJ 2, 3 e 4, quando aconteceram aventuras nada violentas, essas últimas edições souberam referenciar melhor as cenas de ação dos animes e mangás. Além dos inimigos estarem mais detalhados e imponentes (é só lembrar que a turma já enfrentou porquinhos fofos em TMJ 2), há mais linhas de movimento nas cenas, melhor uso do preto para dar profundidade ao quadro, maior expressividade facial dos personagens (basta olhar Mimi e Mônica, nas páginas 35 e 52, lembrando o lunático Fei de Xenogears), presença de onomatopéias ocupando dinamicamente os quadros, densidade dos cenários e até mesmo uso de requadros partindo de pontos grotescos desses ambientes (ver página 11). Enfim, as doses de violência e  de ação estão muito boas.

Exemplo de onomatopéia ocupando espaço dos quadros

Exemplo de onomatopéia ocupando espaço dos quadros

Mônica e a maturidade

Já a Mônica se transformou em outra Mônica. Talvez a única semelhança dela com a personagem infantil seja sua persistência em resolver seus objetivos, porque somos apresentados a uma garota que largou muitos de seus hábitos infantis e amadureceu rapidamente para questões adultas. Apesar de algumas inseguranças, Mônica revela ser ciente de sua sensualidade – e sabe como usá-la muito bem (ver página 120) – tem determinações bem construídas em sua personalidade, sabe ponderar diante de escolhas difíceis e aconselhar os amigos. Dessa maneira, conquistou o amor e admiração de Cebola, que ao invés de planejar com Cascão alguma estripulia contra a amiga, fica impotente ao vê-la tão corajosa diante das situações que enfrenta. Creio que TMJ 8 coroa a transição de amadurecimento que começou em TMJ 1, de maneira que agora a Mônica é praticamente uma adulta (compare a Mônica da capa dessa edição, acima, com a da segunda edição… Parece que mais alguns anos se passaram entre uma turma e outra).

E a maturidade se encontra em outros personagens, principalmente nos antagonistas. Ao contrário do Poeira Negra – ops, Capitão Feio – os vilões não eram absolutamente maus, pelo contrário, tinham razões bem concretas para suas lutas. Esses motivos foram explorados pelas perspectivas da Turma e dos próprios vilões, o que possibilita que se compreenda tanto as motivações de Mimi quanto de Mônica durante o confronto das duas. Creio que uma pesquisa de popularidade dos personagens mostraria isso muito bem. Até mesmo o aterrador Lorde Kamen possui um momento para lutar e cessa de usar a violência logo que cumpre seu objetivo. Creio que esse arco é uma prova de que as histórias poderiam ter sido maduros desde o começo – uma das maiores críticas que fiz – e continuar agradando os fãs. Os jovens não são tolos e bons moços, muito pelo contrário.

Lorde Kamen, em um dos desenhos mais belos da HQ

Lorde Kamen, em um dos desenhos mais belos da HQ

Uma boa aposta

Marcelo Cassaro foi uma ótima escolha da Maurício de Sousa Editora. A ele parece ter sido dado muita liberdade para escrever a HQ, pois nota-se a evolução dos personagens. Um outro motivo foi o gênero da história, a ficção científica, no qual Cassaro é mestre, sabendo dar toques certeiros de desenvolvimento de personalidade e da necessidade ação na HQ.

A aposta em Cassaro e na maturidade dos personagens foi bem acertada. Não quero assim dizer que as características adultas dos personagens sejam superiores sobre as infantis, mas são elementos essenciais para marcar algum tipo de diferença entre a turminha original e essa turma jovem. A violência mais realista também, uma vez que traz agora a responsabilidade por cada ato de agressão que os jovens cometam.

TMJ 8 fecha um ciclo onde os personagens da turminha encarnam praticamente todas as idéias reveladas por Maurício em algumas entrevistas. E que o retorno às histórias do dia-a-dia mantenham o nível!

Choques e mais choques marcaram a passagem da turminha para um mundo mais adulto e violento

Choques e mais choques marcaram a passagem da turminha para um mundo mais adulto e violento

P.S.: veio um card como brinde da edição, mas muito provavelmente não jogarei o card game da TMJ. Se alguém o fizer, comenta sobre como ele é. Me pareceu bem pobre em termos de regras.

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Turma da Mônica Jovem 7 consolida trama de ficção científica

17/03/2009

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Marcelo Cassaro prossegue mantendo a boa qualidade da série, na parte dois do arco O Brilho de um Pulsar! Os pontos de destaque da edição anterior (maturidade dos personagens, ficção científica, narrativa cuidadosa, evolução dos desenhos e diálogos entre Franja e o Astronauta) são desenvolvidos neste número.

Maturidade: Cebola e Mônica continuam mal se falando. Esta crise entre os dois personagens faz com que eles vão percebendo a saudade e aprendendo a tolerância entre si. Ao final da HQ é importante o close no rosto preocupado de Cebola, quando Mônica é teleportada por robôs do Império Karoton. Mesmo sem conversar com a amiga, ele não deixa de colocar de lado suas irritações quando é necessário se preocupar. Similar ao que acontece à Mônica, que releva seus ciúmes por Cebola e Xabéu para ajudar o Pulsar. É notável que a maturidade de Mônica é a que mais evolui, ao contrário de Cebola, o que parece evidenciar a crença de que meninas ‘crescem’ mais rápido que os meninos.
A personagem Usagi Mimi, mesmo sendo antagonista, tem comportamento adolescente e um conflito com o pai, porque deseja se tornar independente dele e obter uma posição de poder de destaque no Império. Esse conflito é retratado ligeiramente, mas parte de uma busca de por maturidade, que diferenças de gerações e a “velocidade” à que a adolescência está submetida, o que acaba por criar jovens prodígios estressados e ansiosos como a princesa.

Ficção Científica: Cassaro alimenta a imaginação dos fãs com informações interessantes sobre o universo que está explorando. Desde detalhes sobre a série Pulsar até os benefícios da gravidade zero para a medicina. Essas referências demonstram a habilidade do autor com a ficção científica, já encontrada em seu romance Espada da Galáxia. Por sinal, o robô da série Pulsar possui personalidade e poder que lembram os metalianos, alienígenas devotos de uma rainha a quem devem honrar e proteger.
A cena de invasão do Império Karoton à estação espacial é digna de um Star Wars ou um Star Trek, com planos majestosos de naves em uma quantidade absurda. Diante da invasão, os personagens não sabem o que fazer, numa impotência bastante sentida pelas expressões dos personagens e imponência dos adversários, principalmente com o holograma gigantesco de Usagi Mimi.

Narrativa: A trama não desanda em momento algum. Começa bem, com a Princesa Usagi Mimi e a partir daí se alterna entre os personagens de uma maneira bem enlaçada. O uso de poucas elipses dá ritmo à história, que acontece num breve período de tempo, abrindo possibilidade para a exploração acurada de cada fato ocorrido até a invasão. Assim, é construída a relação entre Mônica e o Pulsar, a aproximação de Xabéu e Cebola, as intenções de Usagi Mimi com a Terra e as discussões entre Astronauta e Franja, sem perder de vista as cenas de ação que permeiam a HQ.
Como disse Guilherme Kroll Rodrigues, do site Homem Nerd, sobre o trabalho de Cassaro na sexta edição, “a inspiração nos mangás é mais sutil por um lado, mas é constante. As cenas de batalha e a perseverança dos personagens podem encontrar paralelos perfeitos nos gibis japoneses.” A influência japonesa, neste número, está também na menção aos games, ao hentai (sim! eles lêem pornografia!) e no design dos robôs.

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Desenhos: As ilustrações estão mais realistas, sem perder o lado caricato dos mangás de Osamu Tezuka, mas que aparece cada vez menos. Tem sido constante neste arco a utilização de linhas de tensão, aquelas traços na testa dos personagens ou cenários que indicam peso diante de uma situação agravante. Exemplos podem ser vistos no quadro 4 da página 76 e no quadro 2 da página 77 (que ainda utiliza um fundo preto para dar densidade). Assim, Turma da Mônica Jovem está ganhando um estilo mais misturado de desenho, sendo algumas características do mangá influentes nele. Por isso, creio que o “Em estilo mangá!” da capa já está ultrapassado, mas ajuda no marketing da revista.

Franja e Astronauta: Para mim, os dois são os personagens têm a relação mais interessante da HQ. Franja se desilude com seu herói, ao notar que suas ações correspondem ao de sua versão eletrônica nos jogos de videogame. Ao contrário do Astronauta de raciocínio rápido e pacifista da Turma da Mônica original, o encontramos agora estressado e violento. A discordância entre os personagens também funciona como uma crítica à lógica da tecnologia como opressora dos homens: Franja nunca perde de vista que a inteligência humana pode fazer paz ou guerra com a técnica, e ele escolhe a primeira. Na conclusão da parte dois, uma reconciliação acontece, com a união dos dois personagens para imaginar uma maneira de contornar a invasão Karoton. Provavelmente, Franja despontará como herói, igualando o Astronauta.

As ausências de Magali e Cascão ainda se fazem sentir. Magali serve de “orelha” para Mônica e Cascão tem menos participação ainda. Gostaria de ver os fãs dos dois se manifestando!

Preview do Card Game de TMJ. Parece que vai ser bem simples, como os card games do Pokémon da Elma Chips.

Preview do Card Game de TMJ. Parece que vai ser bem simples, como os card games do Pokémon da Elma Chips.

Cassaro está capitaneando bem a Turma da Mônica Jovem, estou tendo prazer em lê-la. Acho apenas que a edição deveria custar menos =P Bem, e uma novidade é anunciada nesta edição: lançamento, em breve, de cards games da TMJ. É aberta, assim, a possibilidade de animes, RPGs e videogames baseados no produto. Isso é bom, creio que TMJ será a porta de entrada para novos RPGistas, jogadores de videogames, etc. Ficarei de olho em como a revista pode estimular outros setores econômicos.

Abraços


Turma da Mônica Jovem 6 dá uma guinada rumo ao espaço e à boa qualidade das histórias

05/02/2009

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Não perco Turma da Mônica Jovem por nada. Algumas pessoas me perguntam “Por que comprar se você não gosta? Pra que dar dinheiro a eles?”. Posso não gostar das histórias e fazer críticas a elas, mas continuarei a comprar porque meu prazer em ler a Turma da Mônica é acompanhar de perto as comunidades de leitores da revista e, me posicionando como leitor de quadrinhos, avaliar a obra, para, discursivamente, dar alguma contribuição para ela.

Confesso que a edição anterior era do tipo que poderia me fazer desistir de continuar colecionando, mas uma novidade me fez voltar atrás: a contratação de Marcelo Cassaro como roteirista. Não é a primeira vez que Cassaro trabalha com Mauricio de Sousa, mas conheço seu trabalho da revista Dragão Brasil, voltada para os RPGs. Cassaro sempre foi uma mente criativa lá dentro, criando o cenário de Tormenta (junto com Rogério Saladino e J.M. Trevisan), o rpg 3D&T e a série de quadrinhos Holy Avenger. Cassaro sempre se demonstrou eficiente em desenvolver cenários, personagens e tramas – habilidades necessárias a um bom mestre de RPG. E isso fica bem claro em Turma da Mônica Jovem#6 – a melhor edição até o momento.

Cassaro muda o foco das aventuras do dia-a-dia, que não deram muito certo, para um terreno que lhe é bastante íntimo, o da ficção científica. Ele faz isso sem esquecer das relações dos personagens, aliás, faz de forma mais interessante e ampla do que vinha acontecendo nas últimas revistas. Claro que o público focado pela revista, 10-14 anos, se agradou pela abordagem bem humorada das personagens e a revista poderia prosseguir assim, porém Cassaro resolveu dar um tom mais sério em algumas passagens, como na briga entre Cebola e Mônica, quando ele a chama de egoísta e ela chora escondida de todos. O roteirista conseguiu realizar uma cena sem excessos, bastante humanizadora e tangível – ele adensou os personagens. Parece o estágio inicial do tipo de enredo que eu gostaria de ver em TMJ, rumando para conversas mais abertas sobre outros temas.

A narrativa de TMJ#6 não parece rápida e meio desorientada como nas edições anteriores, e consegue prender facilmente. A cada quatro nos é apresentado, de forma bastante criativa, alguma novidade exótica sobre a estação interplanetária ou algum elo com o passado da Turma da Mônica original. Mesmo não havendo muito andamento na trama, essa é uma edição sólida em suas perspectivas de tratamento dos personagens e cenários.

Dentre os elementos tecidos por Cassaro, está a inserção de uma figura extraterrestre bastante interessante e a reaparição de mechs (robôs gigantes), que reaproximam o quadrinho dos temas orientais e da forma mangá – por sinal, o mech lembra o Black Kamen Rider e algo do Jaspion. Esses elementos parecem saídos de uma história de mesa de RPG, notória pela presença de monstros, acontecimentos estranhos e muitos eventos rolando nas entrelinhas.

Uma novidade, entre os personagens é a presença de Franja entre os protagonistas. Sua presença em uma aventura espacial é justificada, mas ele está roubando a cena com os bons diálogos com o Astronauta. Eles servem para introduzir elementos de alta tecnologia a trama, sem esquecer do velho papo sobre valores humanos e uso das máquinas. O Astronauta é um personagem interessante, pois se tornou um homem ranzinza e solitário, ao contrário do personagem alegre da Turma original. Assim, vai se quebrando o bom mocismo politicamente correto de TMJ. Para caprichar mais, Cassaro não pode esquecer de dois personagens que estão sendo bem pouco desenvolvidos e são essenciais para a trama: Cascão e Magali.

Cassaro criou uma boa estrutura para explorar nos próximos números, mesmo se utilizando de elementos bem convencionais. Mas não se pode esquecer que Cassaro é um mestre, e sua narrativa sempre vai ser uma aventura bem descrita.

Espero as próximas edições, ansiosamente, como todos das comunidades Turma da Mônica Jovem.