História da Penitência coloca em xeque sua relação com Equilíbrio

09/06/2009

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Como definir o Equilíbrio? Se houvesse um ser que representasse esse conceito, seria possível ele assumir uma forma sem afetar o equilíbrio próprio do mundo? Estas são questões levantadas na história Paradoxo, escrita por mim e desenhada por Alex Classwar, e protagonizada pela personagem Penitência, de Marcos Franco.

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As aventuras da Penitência exploram limites entre o Caos e a Ordem, uma vez que a “heroína” serve a uma desconhecida força chamada Equilíbrio, que rege o Universo através da harmonia e da parcimônia. Para manter essa balança de forma neutra, Penitência atua punindo àqueles que provocam o Caos ou a Ordem.

Em Paradoxo, Penitência escuta o lamento de uma mulher. Embora não faça parte dos planos de Equilíbrio ajudá-la, Penitência acaba comovida com seu pranto e conhece sua aflição: um dos seus três filhos desapareceu misteriosamente. E esta é apenas a ponta do iceberg: a gravidez da moça se deu de maneira excepcional. As três crianças nasceram ao mesmo tempo, mas cada uma com um rosto diferente, similares aos três homens que estupraram a mulher, quando ela ainda era virgem. Desde então, a mulher tem vivido assombrada pela sua estranha casa e pelos seus filhos.

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O paradoxo está no sentimento humanista da Penitência, contraditório com a ausência de forças positivas e negativas pregada pelo Equilíbrio. Para ela é inaceitável o sofrimento daquela mulher, no entanto, se deseja continuar sua “vida” como Penitência, deve aceitar e se apegar à sua missão.

Qual será a decisão da Penitência?

A HQ encontra-se, atualmente, na fase de desenhos. Nesse post estão os esboços de Alex Classwar. Logo o quadrinho estará pronto. Aguardem!

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2009 e os quadrinhos

03/02/2009

Primeiro mês de blog e apenas três posts. Um começo vergonhoso, mas, contando que tive apenas 400 acessos, não deve ter muita gente pra puxar minhas orelhas.

Janeiro de 2009 foi um dos meses mais importantes até hoje na minha formação para ser roteirista de quadrinhos.

Iniciei a escrita do roteiro da minha parceria vampiresca ao lado de Joe Santos. Abaixo, Mercúrio, informante de Kuei, o vampiro.

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Embarquei nos sonhos guardados de Marcos Franco, preparando-me para retomar um elo com o passado da minha cidade natal, Feira de Santana, e contar, junto a Marcos, uma história oral sobre uma das figuras mais violentas presentes em suas origens.

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Estou tendo o prazer de ver em desenvolvimento o conto sobre paradoxos e escolhas da personagem Penitência (criada por Marcos Franco). Este projeto tem roteiro meu e desenhos de Alex Classwar. Abaixo, a versão de Jean Okada para a Penitência.

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Por fim, ao lado do amigo e produtor cultural Rafael Raña, inscrevemos um projeto para um livro em quadrinhos no Edital Cultura LGBT, da Fundação Cultural do Estado da Bahia. A história no livro se chama O quarto ao lado e é uma história homoafetiva sobre dois amigos, um gay e um hetero, que se envolvem sexualmente. O desenho abaixo é de André Leal e apresenta os dois protagonistas.

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Por fim, há as leituras. Completei minha coleção do Sandman da Conrad e estou relendo todos os livros. É a quarta vez que leio Sandman e a cada leitura ela se torna mais rica . Isso, creio eu, se deva ao cuidado de Gaiman com o subtexto presente na obra: os diálogos e quadros costumam referenciar um universo extenso e em expansão, trazendo à tona a experiência de se perder em meio ao sublime, de imergir. Ler Sandman sempre é meio assustador, porque sempre é muito humano e real. É sobre sonho, melhor, é uma genealogia do ato de sonhar. É sobre como os sonhos podem nos regular e sobre como podemos regulá-los em resposta, e como podemos distribuir camadas de imaginação sobre cada aspecto bruto da nossa experiência de vida. É bom ler Sandman ao som de “La Petite Fille de la Mer” de Vangelis – experiência a mim oferecida indiretamente por uma desconhecida misteriosa e sensível.

E, por fim, teve a grata surpresa de ler Turma da Mônica Jovem #6 e gostar. Mas sobre isso, falarei no próximo post.